{"id":125,"date":"2013-08-25T12:07:26","date_gmt":"2013-08-25T12:07:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jralmeida.com\/?p=125"},"modified":"2015-04-09T17:30:49","modified_gmt":"2015-04-09T17:30:49","slug":"comissao-do-irc-da-15-anos-a-banca-para-abater-aos-lucros-dezenas-de-milhares-de-milhoes-de-euros-de-prejuizos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jralmeida.com\/?p=125","title":{"rendered":"Reforma do IRC visa dar mais tempo \u00e0 banca para abater aos lucros dezenas de milhares de milh\u00f5es de euros de preju\u00edzos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O sector financeiro concentrou s\u00f3 entre 2009 e 2011 mais de um quarto dos 60 mil milh\u00f5es de euros de preju\u00edzos fiscais declarados nesses anos\u00a0\u00e0s Finan\u00e7as pelas empresas portuguesas. S\u00f3 em 2011, \u00faltimo ano para os quais h\u00e1 estat\u00edsticas, a actividade banc\u00e1ria e de seguros concentrou 35% dos 27 mil milh\u00f5es de euros de preju\u00edzos.\u00a0Com a lei ainda em vigor, esses preju\u00edzos poder\u00e3o ser abatidos aos lucros apenas dos cinco exerc\u00edcios seguintes ao ano em que foram criados, e ainda limitados a certas condi\u00e7\u00f5es. Mas com base na proposta de lei que se encontra no Parlamento esses limites foram atenuados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Governo prop\u00f4s alargar esse prazo de 5 para 12 anos e isso\u00a0permitir\u00e1 a dedu\u00e7\u00e3o de grande parte ou totalidade daqueles preju\u00edzos fiscais \u00e0 custa da cobran\u00e7a futura de IRC dessas empresas. Ora, pelo peso do sector financeiro no total dos preju\u00edzos fiscais &#8211; e da receita de IRC -, bem parece que, a ser aprovada, a medida constitui um subs\u00eddio a esse sector. Mas igualmente \u00e0s grandes empresas. Em 2011, cerca de metade dos preju\u00edzos fiscais, foram declarados por empresas com factura\u00e7\u00f5es acima de 25 milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p><strong>Preju\u00edzos fiscais est\u00e3o a subir<\/strong><\/p>\n<p>Os preju\u00edzos fiscais bem podem ser considerados como uma forma de evas\u00e3o fiscal. Ali\u00e1s, uma dupla forma: primeiro, porque no exerc\u00edcio em causa evita a tributa\u00e7\u00e3o em IRC; e segundo porque permita a dedu\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a de IRC nos anos seguintes. E essa realidade est\u00e1 em crescendo e tem provocado uma progressiva\u00a0eros\u00e3o da Mat\u00e9ria Colect\u00e1vel do IRC nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Em 2011, os preju\u00edzos fiscais atingirem j\u00e1 81% dos lucros tribut\u00e1veis, quando na d\u00e9cada de 90 e no in\u00edcio da d\u00e9cada passada rondava os 50 a 60%.\u00a0Nos \u00faltimos cinco anos, o total dos preju\u00edzos atingiu 76 mil milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Atente-se na dimens\u00e3o desses preju\u00edzos.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.jralmeida.com\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Gr\u00e1fico-4-300x173.png\" alt=\"Gr\u00e1fico 4\" width=\"300\" height=\"173\" \/><\/p>\n<p>Ou a comiss\u00e3o de reforma do IRC desconhece esta realidade &#8211; o que pode parecer estranho dada a import\u00e2ncia da sua miss\u00e3o &#8211; ou estar\u00e1 preocupada com o facto das empresas n\u00e3o poderem esbater no tempo este crescente volume de preju\u00edzos declarados, j\u00e1 que cinco anos nunca seriam suficientes para o fazer.<\/p>\n<p>Porqu\u00ea? O C\u00f3digo do IRC estipula que, em cada exerc\u00edcio em que se fa\u00e7a reporte de preju\u00edzos, essa dedu\u00e7\u00e3o nunca poder\u00e1 ultrapassar os 75% dos lucros desse exerc\u00edcio. Mas que o preju\u00edzo remanescente (n\u00e3o deduzido ainda) poder\u00e1 ficar para os exerc\u00edcios seguintes. Ou seja, dada a dimens\u00e3o dos preju\u00edzos fiscais e a curta dimens\u00e3o dos lucros previs\u00edveis, \u00e9 prov\u00e1vel que fosse necess\u00e1rio um maior n\u00famero de anos para a total dedu\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos fiscais, erodindo os lucros futuros. E com isso, evitando o IRC a pagar pelos lucros futuros.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, acaba por ser uma socializa\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos dessas empresas, pago por todos, como se do seu futuro dependesse o futuro de Portugal e da absor\u00e7\u00e3o do desemprego. Trata-se, na realidade, de um subs\u00eddio encapotado.<\/p>\n<p>E a quem?<\/p>\n<p>Os preju\u00edzos fiscais t\u00eam se concentrado, ao longo dos anos, nos mesmos sectores de actividade: ind\u00fastria transformadora, electricidade, constru\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio, alojamento, transportes e actividades ligadas ao imobili\u00e1rio, mas mais recentemente nas actividades financeiras. Em 2011, cerca de 35% dos preju\u00edzos situou-se no sector financeiro. Mais 15% nas actividades de consultoria e 18% repartidos entre constru\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Agora, tome-se o percurso de alguns dos membros da comiss\u00e3o de reforma.<\/p>\n<p><strong>Quem estava na comiss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Lobo Xavier, presidente da comiss\u00e3o de Reforma, pertence aos corpos sociais do BPI, Mota-Engil e Sonae e foi deputado do CDS.<\/p>\n<p>Miguel Frasquilho al\u00e9m de deputado do PSD e ex-secret\u00e1rio de Estado do Tesouro e das Finan\u00e7as do Governo Dur\u00e3o Barroso (2002\/2003), \u00e9 um quadro dirigente do grupo Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Almeida Fernandes \u00e9, desde 2001, advogado num dois maiores escrit\u00f3rios de advogados Morais Leit\u00e3o, Galv\u00e3o Teles, Soares da Silva e, refere-se na p\u00e1gina oficial do escrit\u00f3rio, \u201cpresta servi\u00e7os no \u00e2mbito do planeamento fiscal e consultoria em \u00e1reas especializadas \u2013 pre\u00e7os de transfer\u00eancia, tributa\u00e7\u00e3o de intang\u00edveis, titulariza\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos, fundos de investimento e produtos financeiros e derivados \u2013 a institui\u00e7\u00f5es financeiras e empresas multinacionais, bem como a algumas das maiores institui\u00e7\u00f5es financeiras e empresas nacionais\u201d. Foi adjunto do actual secret\u00e1rio de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo N\u00fancio, ele tamb\u00e9m um dos advogados do escrit\u00f3rio Garrigues.<\/p>\n<p>Miguel Cortez Pimentel, advogado desde 2004, foi nomeado desde Mar\u00e7o de 2012 adjunto de Paulo N\u00fancio, a ganhar 3914,36 euros (p\u00e1gina do Governo), tendo passado ele tamb\u00e9m pelo escrit\u00f3rio Garrigues, \u201ccom especial enfoque em temas de Direito Fiscal nacional, internacional e europeu\u201d. \u00c9 de 2011 uma publica\u00e7\u00e3o do escrit\u00f3rio, da autoria de Fernando Castro Silva, Tiago Cassiano Neves e Miguel Cortez Pimentel, subordinada ao tema: \u201cAltera\u00e7\u00f5es futuras do centro de neg\u00f3cios internacional da Madeira: est\u00e1 pronto?\u201d. Nessa publica\u00e7\u00e3o alerta-se para o agravamento da tributa\u00e7\u00e3o (\u201cpontos de preocupa\u00e7\u00e3o\u201d) e sugere-se capacidade para encontrar formas alternativas de aligeiramento da tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pedro Pereira Gon\u00e7alves fez a sua carreira como quadro do grupo Esp\u00edrito Santo, foi chefe de gabinete de Miguel Frasquilho enquanto governante, consultor econ\u00f3mico da secretaria de Estado da Habita\u00e7\u00e3o no Governo Santana Lopes (2003\/2004) e estava na AICEP, ag\u00eancia para a capta\u00e7\u00e3o de investimento estrangeiro na \u00e1rea de grandes neg\u00f3cios e financiamento. Foi nomeado recentemente secret\u00e1rio de Estado da inova\u00e7\u00e3o, Empreendorismo e Competitividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem sei que at\u00e9 prova em contr\u00e1rio, todos os suspeitos s\u00e3o inocentes. Mas o julgamento come\u00e7ou. Fa\u00e7a-se a prova da necessidade desta medida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o que se coloca \u00e9: por que raz\u00e3o pretende o Governo adoptar uma medida como esta?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso se pretenda atribuir um est\u00edmulo \u00e0s empresas nesta dif\u00edcil fase da economia portuguesa &#8211; o que \u00e9 defens\u00e1vel &#8211; ent\u00e3o importaria estimar os custos de uma proposta como esta para o Estado e para os contribuintes. E que contrapartida poderia ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A saber:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1)\u00a0Qual o montante que se estima de preju\u00edzos que poder\u00e3o ser deduzidos nos pr\u00f3ximos anos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) Consequentemente, qual a perda de receita de IRC que \u00e9 expect\u00e1vel perder nos pr\u00f3ximos anos, ap\u00f3s a dedu\u00e7\u00e3o desses preju\u00edzos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) E consequentemente, qual o acr\u00e9scimo de receita &#8211; ou corte de despesa &#8211; que o Governo estima que tenha de ser feito para manter as metas or\u00e7amentais estritas, como as que t\u00eam sido impostas com a aplica\u00e7\u00e3o do Memorando de Entendimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este simples aspecto da lei &#8211; e j\u00e1 n\u00e3o estou a falar de todas as altera\u00e7\u00f5es que a proposta de lei prev\u00ea &#8211; ter\u00e1 um impacto significativo nas contas p\u00fablicas. Mas este foi precisamente o impacto nas contas p\u00fablicas\u00a0que a comiss\u00e3o &#8211; e o Governo &#8211; n\u00e3o estimou. E esse lapso, num momento de emerg\u00eancia nacional como o actual, \u00e9 no m\u00ednimo negligente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Negligente porque a sociedade est\u00e1 a ser sangrada com um volume de perdas de emprego e consequente subida da taxa de desemprego e de emigra\u00e7\u00e3o de elevadas propor\u00e7\u00f5es. Conceder um subs\u00eddio desta grandeza nesta altura ter\u00e1 de ser muito bem justificado \u00e0 totalidade dos contribuintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sector financeiro concentrou s\u00f3 entre 2009 e 2011 mais de um quarto dos 60 mil milh\u00f5es de euros de preju\u00edzos fiscais declarados nesses anos\u00a0\u00e0s Finan\u00e7as pelas empresas portuguesas. 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