{"id":330,"date":"2013-12-27T21:58:55","date_gmt":"2013-12-27T21:58:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jralmeida.com\/?p=330"},"modified":"2013-12-27T21:58:55","modified_gmt":"2013-12-27T21:58:55","slug":"o-emprego-devia-estar-a-crescer-a-25","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jralmeida.com\/?p=330","title":{"rendered":"O emprego devia estar a crescer a 2,5%&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>A 1 de Agosto de 2012, o Minist\u00e9rio da Economia divulgou um estudo em que se garantia que a terceira altera\u00e7\u00e3o ao C\u00f3digo do Trabalho, que entrou em vigor nesse dia, iriam embaratecer os custos de trabalho em 5,23% e, com isso, aumentar o aumentar o emprego no curto prazo em 2,5% e em 10,5% no longo prazo. O estudo foi divulgado pelo Jornal de Neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Essa altera\u00e7\u00e3o ao C\u00f3digo do Trabalho foi respons\u00e1vel pelo fim de 4 feriados, 3 dias de f\u00e9rias, do descanso compensat\u00f3rio do trabalho extraordin\u00e1rio, pela redu\u00e7\u00e3o para metade da retribui\u00e7\u00e3o do trabalho extraordin\u00e1rio e nos feriados, pelo fim, pela introdu\u00e7\u00e3o dos &#8220;bancos de horas&#8221; individuais, por um ataque ao sindicalismo atrav\u00e9s de maiores obst\u00e1culos \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o colectiva, por altera\u00e7\u00f5es ao regime de isen\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rio e, ainda, pela redu\u00e7\u00e3o substancial das compensa\u00e7\u00f5es por despedimento.<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis do Minist\u00e9rio achavam que aquele impacto positivo no emprego n\u00e3o teria, contudo, reflexos imediatos na taxa de desemprego &#8211; que, em 2013 continuaria a subir at\u00e9 aos 16%. T\u00e3o-pouco teria efeitos na redu\u00e7\u00e3o do desemprego estrutural.<\/p>\n<p>Na realidade,a taxa de desemprego subiu at\u00e9 os 17,7% no 1\u00batrimestre de 2013 e come\u00e7ou a reduzir-se a partir da\u00ed, situando-se em 15,6%. Essa redu\u00e7\u00e3o coincidiu com uma vaga\u00a0acentuada de emigra\u00e7\u00e3o. Segundo o INE, a popula\u00e7\u00e3o entre os 15 e os 64 anos diminuiu cerca de 80 mil pessoas desde o 3\u00batrimestre de 2012 e o 3\u00ba trimestre de 2013. O fluxo emigrat\u00f3rio tem se acentuado desde 2009. Em 2012, o saldo migrat\u00f3rio (entre emigrantes e imigrantes) foi negativo para Portugal, num n\u00famero superior ao de 2011.\u00a0 Em 2012, emigraram cerca de 52 mil pessoas.<\/p>\n<p>E o emprego criado tem sido diminuto. Quando comparado com o de 2012, os valores de 2013 continuam em queda. Foi -3,9% no 2\u00batrimestre de 2013 e de -2,2% no 3\u00batrimestre de 2013. N\u00e3o s\u00f3 tem sido reduzido como sem contratos permanentes e em condi\u00e7\u00f5es contratuais pouco claras (http:\/\/www.cgtp.pt\/trabalho\/emprego\/6994-primeiro-ministro-manipula-numeros-do-emprego).<\/p>\n<p>Estes n\u00fameros parecem, pois, desarticular a l\u00f3gica subjacente ao programa do Governo e ao Memorando de Entendimento da troika: menores custos salariais representam melhores condi\u00e7\u00f5es competitivas e, com isso, melhores condi\u00e7\u00f5es futura de emprego. Na verdade, este racioc\u00ednio esquece que os custos salariais representam apenas 20% dos custos totais da produ\u00e7\u00e3o e que os custos de contexto &#8211; que eram t\u00e3o visados no Memorando de Entendimento &#8211; pouco sofreram com mais de dois anos de vig\u00eancia do protectorado.<\/p>\n<p>Na realidade, os efeitos dessas altera\u00e7\u00f5es redundaram, sobretudo, numa transfer\u00eancia de rendimento do factor trabalho para as empresas que ultrapassou em muito as mexidas na Taxa Social \u00danica (TSU) que o Governo Passos Coelho quis introduzir em Setembro de 2012 e acabou por desistir dela, ap\u00f3s fortes manifesta\u00e7\u00f5es populares. Esses c\u00e1lculos, por defeito, s\u00e3o apresentados no relat\u00f3rio do Observat\u00f3rio sobre Crises e Alternativas de 2013, cuja vers\u00e3o perliminar foi recentemente divulgada (http:\/\/www.ces.uc.pt\/ficheiros2\/files\/Relatorio_Anatomia_Crise_final__.pdf)<\/p>\n<p>Esta realidade n\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, in\u00e9dita. Quanto mais o desemprego atinge propor\u00e7\u00f5es elevadas, maior \u00e9 a press\u00e3o para que asslariados aceitem baixos sal\u00e1rios, piores condi\u00e7\u00f5es contratuais e mais tempo de trabalho pelo mesmo sal\u00e1rio. No s\u00e9culo XIX chamavam-lhe o &#8220;exerc\u00edcio industrial de reserva&#8221;. Hoje em dia, a ind\u00fastria pouco pesa, mas a l\u00f3gica \u00e9 semelhante. Massas de trabalhadores dispostos a trabalhar por qualquer pre\u00e7o. Sabe-se que hoje que esse pano de fundo esteve na base de poderosas revolu\u00e7\u00f5es sociais que transbordaram para o s\u00e9culo XX. H\u00e1 alturas em que o p\u00eandulo vai para l\u00e1, mas depois tende a voltar. E \u00e0s vezes com redobrada for\u00e7a como lembrava Brecht&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 1 de Agosto de 2012, o Minist\u00e9rio da Economia divulgou um estudo em que se garantia que a terceira altera\u00e7\u00e3o ao C\u00f3digo do Trabalho, que entrou em vigor nesse dia, iriam embaratecer os custos de trabalho em 5,23% e, com isso, aumentar o aumentar o emprego no curto prazo em 2,5% e em 10,5% [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":332,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19,31],"tags":[],"class_list":["post-330","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arquivo","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jralmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/330","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jralmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jralmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jralmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jralmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=330"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jralmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/330\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jralmeida.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/332"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jralmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jralmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jralmeida.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}