{"id":581,"date":"2014-01-21T11:47:53","date_gmt":"2014-01-21T11:47:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jralmeida.com\/?p=581"},"modified":"2015-04-09T17:48:05","modified_gmt":"2015-04-09T17:48:05","slug":"581","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jralmeida.com\/?p=581","title":{"rendered":"&#8220;Subportugueses&#8221; s\u00e3o j\u00e1 25% da popula\u00e7\u00e3o activa"},"content":{"rendered":"<p>Que a situa\u00e7\u00e3o do emprego em Portugal \u00e9 lastim\u00e1vel j\u00e1 se sabia. Basta ver o <a title=\"documento divulgado ontem pela CGTP\" href=\"http:\/\/www.cgtp.pt\/trabalho\/emprego\/7040-troica-e-governo-tres-anos-a-destruir-emprego\">documento divulgado ontem pela CGTP<\/a>. A grande d\u00favida \u00e9 saber o que se vai passar nos pr\u00f3ximos tempos. O Governo multiplica-se em coment\u00e1rios a real\u00e7ar que a economia inflectiu j\u00e1 e que vem a recupera\u00e7\u00e3o. Mas a melhoria dos indicadores, melhorar\u00e1 o emprego?<\/p>\n<p>No s\u00e1bado passado &#8211; estranho momento para divulga\u00e7\u00e3o de n\u00fameros oficiais &#8211; o Instituto de Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional, organismo p\u00fablico respons\u00e1vel pela pol\u00edtica de emprego, divulgou os valores mensais dos centros de emprego referentes a Dezembro passado. O que h\u00e1 de novo? Possivelmente nada de especial que n\u00e3o se visse no dados passados.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jralmeida.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Desemprego-registado-novos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-583\" src=\"http:\/\/www.jralmeida.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Desemprego-registado-novos-300x198.jpg\" alt=\"Desemprego registado novos\" width=\"585\" height=\"293\" \/><\/a><\/p>\n<p>O n\u00famero de desempregados registados ter\u00e1 voltado a baixar, atingindo 690.535 pessoas. Em Dezembro ter\u00e1 sido de menos 2,8% do que em igual m\u00eas de 2012. Mas quando se olha para os valores dos novos desempregados que se inscreveram nos centros de emprego ao longo de Dezzembro, foram mais 57.803 pessoas, ou seja, mais 6,7% do que em igual per\u00edodo de 2012, embora menos 15% do que no m\u00eas anterior.O que est\u00e1 a acontecer?<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o da inscri\u00e7\u00e3o dos novos desempregados tem um comportamento um pouco err\u00e1tico, de dif\u00edcil leitura quando se olha para o gr\u00e1fico. Portanto, tentei &#8220;alis\u00e1-lo&#8221;, atrav\u00e9s de uma m\u00e9dia 3 meses. O que se verifica \u00e9 que o desemprego registado &#8211; aquele que \u00e9 divulgado pelo IEFP &#8211; est\u00e1 a descer, enquanto o novo desemprego est\u00e1 a subir. Primeiro: como \u00e9 que isso pode estar a acontecer? Segundo: o que se retira da\u00ed?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jralmeida.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/desempreg-registado-vs-real.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-582\" src=\"http:\/\/www.jralmeida.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/desempreg-registado-vs-real-300x197.jpg\" alt=\"desempreg registado vs real\" width=\"637\" height=\"328\" \/><\/a><\/p>\n<p>Isto passa-se porque o desemprego registado &#8211; o divulgado pelo IEFP &#8211; \u00e9 j\u00e1 o resultado de in\u00fameras opera\u00e7\u00f5es administrativas que resultam na anula\u00e7\u00e3o de inscri\u00e7\u00f5es de desempregados. Seja por &#8220;boas raz\u00f5es&#8221; &#8211; porque o desempregado encontrou emprego, reformou-se, emigrou, est\u00e1 a receber forma\u00e7\u00e3o &#8211; seja por m\u00e1s raz\u00f5es &#8211; foi alvo de notifica\u00e7\u00f5es a que n\u00e3o respondeu, est\u00e1 em programas que o obrigam a desenvolver actividade (muitas vezes para o pr\u00f3prio Estado, a cumprir fun\u00e7\u00f5es permanentes e apenas recebendo o subs\u00eddio de desemprego e subs\u00eddio de alimenta\u00e7\u00e3o), etc.<\/p>\n<p>Ora, caso se queira entrar em linha de conta com todas essas pessoas, j\u00e1 que poder\u00e3o dar uma ideia mais aproximada do volume de pessoas que vem ter aos centros de emprego e a dimens\u00e3o dessas anula\u00e7\u00f5es todas, ent\u00e3o h\u00e1 que somar sempre ao desemprego registado, os novos desempregados e subtrair as coloca\u00e7\u00f5es. O resultado \u00e9 o gr\u00e1fico que se v\u00ea em cima. O hiato entre as duas curvas \u00e9 o volume de anula\u00e7\u00f5es de inscri\u00e7\u00f5es de desempregados. Mas a quest\u00e3o inicial volta a colocar-se: as duas curvas parecem estar a atenuar-se. Mas ser\u00e1 isso o sintoma de que o desemprego se reduz?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jralmeida.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/INE-IEFP.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-584\" src=\"http:\/\/www.jralmeida.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/INE-IEFP-300x200.jpg\" alt=\"INE IEFP\" width=\"636\" height=\"292\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quando se junta os valores divulgados pelo organismo estat\u00edstico nacional, o INE, os valores do INE s\u00e3o bem mais elevados do que os do IEFP. Em parte, essa diferen\u00e7a ter\u00e1 a ver com a natureza administrativa da produ\u00e7\u00e3o de n\u00fameros. S\u00f3 que a tend\u00eancia parece ser a mesma. Uma ligeira atenua\u00e7\u00e3o dos valores do desemprego nos \u00faltimos trimestres com uma leve atenua\u00e7\u00e3o dessa redu\u00e7\u00e3o. E ainda se desconhece os valores do INE do \u00faltimo trimestre de 2013. E 2014 promete ser um ano dif\u00edcil, com milhares de funcion\u00e1rios p\u00fablicos a ter um corte dos seus vencimentos e os pensonistas a levaram novo corte nas pens\u00f5es. Ser\u00e1 que essa tend\u00eancia se manter\u00e1?<\/p>\n<p>E ser\u00e1 que os n\u00edveis de actividade ser\u00e3o suficientes para absorver a montanha de desempregados?<\/p>\n<p>Para que o desemprego comece a ser absorvido, a economia ter\u00e1 de crescer a 1,5-2% ao ano em termos reais. Ora, Portugal est\u00e1 muito longe disso. E mesmo antes, antes da crise actual, o crescimento econ\u00f3mico sempre foi an\u00e9mico, ao ritmo do pulsar da UE, e no caso nacional marcado por uma sobrevaloriza\u00e7\u00e3o do Escudo face ao Euro.<\/p>\n<p>Portanto, o que ser\u00e1 do nosso futuro, mesmo com programa cautelar ou sem ele?<\/p>\n<p>Actualmente, a situa\u00e7\u00e3o do desemprego \u00e9 muito mais vasta do que a do n\u00famero de desempregados. Quando a crise se prolonga por muitos anos, como a portuguesa, as pessoas tendem a movimentar-se no mercado de trabalho e nem sempre para situa\u00e7\u00f5es que lhe agradem. Usando os valores que o INE disponibiliza como indicadores complementares do desemprego, verifica-se o seguinte:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jralmeida.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/gra\u0301fico-desemprego.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-578\" src=\"http:\/\/www.jralmeida.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/gra\u0301fico-desemprego-300x199.jpg\" alt=\"gra\u0301fico desemprego\" width=\"670\" height=\"313\" \/><\/a><\/p>\n<p>As situa\u00e7\u00f5es de desemprego e subemprego atingem j\u00e1 1,4 milh\u00f5es de pessoas. E verifica-se uma passagem em termos estat\u00edsticos daqueles que est\u00e3o desempregados para os inactivos. Como \u00e9 visi\u00edvel no gr\u00e1fico acima, continua a crescer o n\u00famero daqueles que, apesar de quererem trabalhar, j\u00e1 n\u00e3o procuram (inactivos dispon\u00edveis que n\u00e3o procuram trsbalho). Entre esses, est\u00e3o os desencorajados.O seu n\u00famero tem vindo a crescer desde 2011. Eram 60 mil no 1.\u00ba trimestre de 2011 e passaram a 126 mil no 3.\u00ba trimestre de 2013.<\/p>\n<p>E isto sem contar com as que sa\u00edram do pa\u00eds. Veja-se a evolu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o por escal\u00f5es et\u00e1rios:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jralmeida.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/grafico-idades.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-579\" src=\"http:\/\/www.jralmeida.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/grafico-idades-300x201.jpg\" alt=\"grafico idades\" width=\"645\" height=\"304\" \/><\/a><\/p>\n<p>Face a uma dada situa\u00e7\u00e3o em Mar\u00e7o de 2011 (base = 100), o n\u00famero de jovens at\u00e9 aos 34 anos diminuiu rapidamente e essa diminui\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode estar associada com uma sa\u00edda do pa\u00eds. \u00c9 impressionantemente assustador. S\u00f3 nestes escal\u00f5es, a redu\u00e7\u00e3o atingiu os 193 mil pessoas desde Mar\u00e7o de 2011.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos tempos ser\u00e3o, pois, decisivos para saber-se qual a evolu\u00e7\u00e3o do emprego e do desemprego. E com ele em parte o que ser\u00e1 o futuro pr\u00f3ximo do pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que a situa\u00e7\u00e3o do emprego em Portugal \u00e9 lastim\u00e1vel j\u00e1 se sabia. Basta ver o documento divulgado ontem pela CGTP. A grande d\u00favida \u00e9 saber o que se vai passar nos pr\u00f3ximos tempos. O Governo multiplica-se em coment\u00e1rios a real\u00e7ar que a economia inflectiu j\u00e1 e que vem a recupera\u00e7\u00e3o. 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