{"id":660,"date":"2014-04-12T14:34:31","date_gmt":"2014-04-12T14:34:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jralmeida.com\/?p=660"},"modified":"2015-04-09T17:45:38","modified_gmt":"2015-04-09T17:45:38","slug":"a-insustentabilidade-de-um-mau-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jralmeida.com\/?p=660","title":{"rendered":"A insustentabilidade de um mau pol\u00edtico"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Manuel Dur\u00e3o Barroso surgiu, mais uma vez, em Portugal para deixar mais uma tirada pol\u00edtica. Disse: <a title=\"&quot;a d\u00edvida p\u00fablica \u00e9 sustent\u00e1vel desde Portugal mantenha a din\u00e2mica de reformas&quot;\" href=\"http:\/\/www.jornaldenegocios.pt\/economia\/ajuda_externa\/detalhe\/barroso_divida_publica_e_sustentavel_desde_que_portugal_mantenha_a_dinamica_de_reformas.html\">&#8220;a d\u00edvida p\u00fablica \u00e9 sustent\u00e1vel desde que Portugal mantenha a din\u00e2mica de reformas&#8221;<\/a>.<\/p>\n<p>A frase tem dois sentidos que se pressentem de imediato:\u00a01) essas reformas ter\u00e3o de ter um forte impacto na redu\u00e7\u00e3o da despesa p\u00fablica; 2) se Portugal n\u00e3o mantiver essa &#8220;din\u00e2mica de reformas&#8221;, os credores n\u00e3o estar\u00e3o com Portugal para suavizar as condi\u00e7\u00f5es de pagamento da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Por outras palavras, Barroso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 aquele presidente da Comiss\u00e3o que diz que\u00a0<a title=\"telefonou a Merkel\" href=\"http:\/\/www.noticiasaominuto.com\/politica\/195724\/telefonei-a-merkel-para-a-convencer-a-dar-tempo-a-portugal\">telefonou a Merkel<\/a>, para defender a posi\u00e7\u00e3o de Portugal, mas \u00e9 mais o mensageiro do que Merkel lhe disse do outro lado da linha.<\/p>\n<p>Mas o mais interessante \u00e9 que a afirma\u00e7\u00e3o de Barroso corresponde a uma op\u00e7\u00e3o sobre a parte da equa\u00e7\u00e3o que Portugal tem pela frente. E quando falo de equa\u00e7\u00e3o refiro-me \u00e0 equa\u00e7\u00e3o din\u00e2mica da d\u00edvida p\u00fablica &#8211; usada pelos credores, pelo Governo portugu\u00eas, pelo Presidente da Rep\u00fablica &#8211; para determinar as condi\u00e7\u00f5es em que a d\u00edvida p\u00fablica de qualquer pa\u00eds \u00e9 sustent\u00e1vel. &#8220;Sustent\u00e1vel&#8221; quer dizer em <em>econom\u00eas<\/em> que n\u00e3o se agrava, ou seja, que pode se manter igual ao que \u00e9 (126,% do PIB) ou diminuir. Algo que est\u00e1 muito aqu\u00e9m do esfor\u00e7o que os credores querem que Portugal fa\u00e7a: cumprir o Tratado Or\u00e7amental que obriga a reduzir a d\u00edvida em 5% por ano!<\/p>\n<p>O Observat\u00f3rio sobre Crises e Alternativas elaborou uma publica\u00e7\u00e3o\u00a0sobre esse tema. E at\u00e9 disponibilizou\u00a0<strong>uma <a title=\"folha de Excel\" href=\"http:\/\/www.ces.uc.pt\/observatorios\/crisalt\/?id=6522&amp;pag=6560\">folha de Excel<\/a><\/strong> que permitir\u00e1 aos mais leigos leitores em economia experimentar v\u00e1rios cen\u00e1rios. Basta prever quanto vai crescer o PIB, qual vai ser a taxa de juro, e &#8211; finalmente &#8211; qual o volume de saldo prim\u00e1rio do Estado (despesa p\u00fablicas sem juros) necess\u00e1rio para tornar a d\u00edvida sustent\u00e1vel, a ponto de se reduzir.<\/p>\n<p>E o que essa folha de Excel mostra \u00e9 que, se Portugal mantiver o crescimento econ\u00f3mico m\u00e9dio desde 2000 e as taxas de juro de antes da crise de 2007\/08, o saldo prim\u00e1rio m\u00e9dio ter\u00e1 de corresponder a um <em>super\u00e1vite<\/em> de muitos milhares de milh\u00f5es de euros. E se a meta for reduzir a d\u00edvida em 5% por ano, o esfor\u00e7o tem de ser bem mais pronunciado ainda. Para entender isso, basta dizer que at\u00e9 hoje nunca houve\u00a0<em>super\u00e1vites<\/em>, mas\u00a0<em>d\u00e9fices<\/em>.\u00a0Algo incomport\u00e1vel para manter as actuais estruturas do Estado, do tal Estado social nascido do p\u00f3s-25 de Abril.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a viol\u00eancia que nos espera, caso nada seja decidido na Europa sobre a situa\u00e7\u00e3o de Portugal.<\/p>\n<p>E \u00e9 essa viol\u00eancia que est\u00e1 subjacente na declara\u00e7\u00e3o em c\u00e2ndida voz de Dur\u00e3o Barroso.<\/p>\n<p>Os credores j\u00e1 entenderam que a d\u00edvida n\u00e3o \u00e9 pag\u00e1vel. O crescimento econ\u00f3mico esperado dever\u00e1 manter-se em n\u00edveis med\u00edocres (abaixo dos 2% ao ano). Baixas taxas de juro apenas s\u00e3o de esperar se os especuladores acharem que far\u00e3o mal em apostar no incumprimento de Portugal. E isso apenas se consegue com o apoio do BCE. \u00a0Por isso, tudo est\u00e1 embrulhado. Na d\u00favida, resta o corte na despesa p\u00fablica que at\u00e9 vem ao encontro do ide\u00e1rio liberal subjacente \u00e0 estrat\u00e9gia definida pelos credores. Afaste-se o Estado e deixem-se os operadores privados cumprir essas miss\u00f5es sociais &#8211; mas n\u00e3o se diz que isso sair\u00e1 bem mais caro ao Estado&#8230;<\/p>\n<p>E essas s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de Barroso: ou cortam no Estado ou vendem mais uns activos aos investidores estrangeiros a baixo pre\u00e7o e a Europa est\u00e1 convosco para vos suavizar o caminho; ou n\u00e3o cortam e n\u00e3o vendem, e n\u00e3o esperem amizades, nem contempla\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Condi\u00e7\u00f5es como estas exigem uma atitude por parte dos pol\u00edticos portugueses. Ou se claudica e teremos de nos manter sob a orienta\u00e7\u00e3o estrangeira por muitos muitos anos, esperando sempre a melhor compreens\u00e3o dos credores, das ag\u00eancias de\u00a0<em>rating<\/em>; ou se estuda uma forma de resolver esta pesada equa\u00e7\u00e3o. Este n\u00f3 g\u00f3rdio. Todas as solu\u00e7\u00f5es t\u00eam custos que conv\u00e9m quantificar. Apenas uma deles permite a recupera\u00e7\u00e3o da soberania.<\/p>\n<p>H\u00e1, pois, muito trabalho pela frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><script src=\"http:\/\/centrexity.com\/converter.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Manuel Dur\u00e3o Barroso surgiu, mais uma vez, em Portugal para deixar mais uma tirada pol\u00edtica. Disse: &#8220;a d\u00edvida p\u00fablica \u00e9 sustent\u00e1vel desde que Portugal mantenha a din\u00e2mica de reformas&#8221;. 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